“À guisa de registro , conto que o ano que passou parecia “coisado”. Foram tantas as intempéries. Astrólogos falaram do encontro conflitante de Saturno e Urânio. Os deuses andaram loucos e sacudiram até as rochas. Lembro, a tempo que Freud me proibira terminantemente de recorrer aos astros e apresentou o inolvidável caminho do inconsciente: esse “lá” mencionado em verso de Florbela Espanca …” saudade, sei lá de quê”.

“O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessoa; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade… sei lá de quê!” Florbela Espanca .

Contudo, de maneira generosa, nosso Sig-mund nos permitiu também beber na fonte dos poetas. Só nos restou obedecer, consentir!

Pisamos nos arames farpados do trabalho árduo na lida com esses seres humanos. Esbarramos em Encontros de toda ordem: aveludados, vulcânicos, que renderam borboletas no estômago e um ou outro estrago passível de procedimentos cirúrgicos nos divãs de por aí…

Alguns acontecimentos foram ferozes e não obstante encontramos rastros da delicadeza quase perdida, que foi devidamente reciclada para amenizar dias cinzentos.

À despeito de tantos abalos sísmicos, fomos também visitados pela quase plenitude, pelo conforto dos bons Encontros, dos rituais cercados de afeto nas adjacências.

Poesia pulou no nosso colo, inadvertidamente. Percorremos outras geografias, debulhamos atos falhos, e claro: brindamos, celebramos com gratidão a vida com sua largueza de mistério, enigma e insondável déjà vu.
Esparramamos nosso charme diante das placas de “Entrada Franca”.

Soubemos na carne, na fratura exposta que a Palavra lavra e nos coloca a trabalhar. “Publicados, registrados e intimados”, sig-amos … mundo afora

Escreveremos na pauta do ano que se inicia, nossos Desejos, coragem, fé, alegrias desmedidas, leveza, docilidade, Amor e todo sortimento de ofertas que saberemos receber.

Palavras que meu coração ditou.”

Neide Heliodória

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