Para muitas teorias filosóficas e religiosas, a nossa grande missão é conhecer a si mesmo. À primeira vista tal missão parece simples, afinal todos parecem se conhecer tão bem! Porém, na verdade, conhecer a si mesmo é um caminho árduo e interminável. Somos tantos “eus” em um só que a missão nunca está completa. Além disso, nos modificamos o tempo inteiro, sendo necessário atualizar esse conhecimento a todo momento.

Não bastasse isso, vivemos numa sociedade doente que pretende enquadrar seus membros em um padrão único de comportamento, de aparência e de valores. Assim que nascemos já somos imersos a expectativas dos familiares que pensam saber o que é melhor para nós. À medida que crescemos somos cobrados a representar vários papéis sociais que vão nos podando e reprimindo nossos verdadeiros desejos. Para sermos aceitos socialmente, temos que vestir a roupa da moda, ter o cabelo igual, gostar das mesmas músicas e ter os mesmos interesses que os outros integrantes do grupo. A homogeneização é quase que obrigatória para nos sentirmos bem nos lugares que frequentamos.

No meio dessa enxurrada de influências de todas as partes, crescemos sem fazer as perguntas essenciais para alcançarmos a nossa missão: Quem sou eu? O que eu realmente gosto? O que eu quero para a minha vida?

E quanto mais nos moldamos para agradar os outros, mais distantes de nós mesmos ficamos e mais medo temos de nos conhecer. Afinal, ao se conhecer corre-se o risco de descobrir algo que não vai agradar a família, os amigos, a sociedade. E se isso acontecer? Será que as pessoas vão gostar de mim mesmo assim?

O medo é alimentado pela carência. Isso porque quanto mais distantes estamos de nós mesmos, mais carentes somos e mais dependentes estamos da atenção e carinho alheios. E mais medo sentimos de perdermos a aceitação dos outros. E mais queremos agradar os outros e nos escondermos de nós mesmos. E assim se forma o ciclo que é alimentado diariamente por todos nós.

Porém, nunca se falou tanto em autoconhecimento. Filósofos, religiosos, sociólogos e pessoas comuns como eu e você têm escrito muito sobre a importância e a arte de se conhecer. Talvez porque as pessoas tenham chegado a um nível de infelicidade insuportável que as fizeram querer rasgar as vestes dos personagens e ver o que tem dentro. Este, no fim das contas, é o único caminho para a paz interior e para a felicidade real. Um caminho penoso, sem aplausos e solitário, mas um caminho que vale a pena percorrer.

B.B.

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