O documentário “Amy” relata a vida nada glamorosa da cantora inglesa Amy Winehouse. Antes de assisti-lo eu já sabia que ela era uma cantora muito autêntica com voz excepcional e dependente de drogas e álcool. Porém, ao assistir ao filme, me dei conta da fragilidade e tristeza que envolviam aquela mulher.
Enxerguei na cantora exótica, um ser humano inseguro, que tentava desesperadamente fugir de tudo e principalmente de si mesma. Amy não conseguia suportar as pressões e as dores da vida. Sim, pois a vida glamorosa que inspira milhões no mundo todo era insuportável para ela. Amy chegou a declarar que trocaria sua voz tão invejada pela possibilidade de andar nas ruas sem ser fotografada e reconhecida. Que mundo cruel esse da Amy.
Mas ela não estava sozinha nessa dura caminhada chamada vida. Estamos todos inseridos nessa grande guerra, lutando diariamente contra os demônios externos e internos que fazemos de tudo para esquecer.
Ao ver o filme descobri também outro triste fato: Amy tinha bulimia desde a adolescência e foi esse o principal fator de sua morte. A cantora, ainda jovem, encontrou um jeito de resolver uma equação aparentemente insolucionável (comer o que queria, sem engordar): vomitava tudo o que comia. Assim, atendia aos anseios da indústria da beleza que desde muito cedo aprendeu a obedecer. E assim, definhava a cada dia.
Amy se habituou a fugir dos problemas, expelindo-os para fora de seu corpo, como fazia com a comida. Essa menina que de repente se viu ganhando milhões, conhecida no mundo inteiro, e que começou a ser alvo da cobiça desmedida da indústria e da obsessão de fãs e jornalistas. Todo mundo queria um pedaço de Amy. Justo ela que quase não conseguia se sustentar em cima de suas pernas esqueléticas.
Porém, admiro Amy pela imensa coragem em expor seus sentimentos mais dolorosos em suas músicas. A arte, quando realmente vem de dentro, traz consigo sangue, lágrimas e carne. É como se uma parte do corpo do artista fosse arrancada e mostrada para o mundo. Mas às vezes essa parte é a mais tenebrosa. Imagino como era para ela cantar “Back do Black” (De Volta para a Escuridão) após ter saído do sofrimento causado pela separação com seu namorado. Será que ao cantar essa música ela era levada a retornar para o fundo do poço?
Pobre Amy. Uma cena que me chocou muito foi a que mostra o dia em que ganhou 5 prêmios no Grammy de 2008 e disse para sua amiga que nada daquilo tinha graça sem usar drogas. Triste Amy, imersa no vazio de sua alma, lutando desesperadamente por algo que a fizesse sair de si.
A história dessa cantora que marcou uma geração nos faz refletir sobre a nossa pequenez e fragilidade diante do peso da vida. Porém, não existe outra saída senão encará-la. Creio que Amy continua lutando contra os seus demônios em outra dimensão, pois os obstáculos persistem até serem de fato encarados e vencidos. Tomara que tenha mais sucesso do que na sua rápida e intensa passagem pela Terra.
B.B.
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