E aí chegou a tão temida idade, quando começa a decadência da juventude. Pelo menos é o que dizem, porque a carapuça não está servindo não! Acabei de completar 30 anos e me sinto mais jovem do que nunca, mais livre, leve e solta! E com a vantagem de ter mais experiência, saber mais sobre mim mesma, ser mais confiante e autêntica do que quando eu ainda era uma adolescente. Ou seja, que idade linda!

Talvez para a indústria da beleza esse seja aquele momento em que tudo começa a cair (a bunda, o peito, o braço, a perna), mas, para mim, que priorizo a alma e não o corpo, creio que é uma idade linda! Obviamente que digo isso com base na minha experiência pessoal, até porque não posso falar de nada além disso. Digo o que sou, minha arte é meu reflexo, como acredito que toda arte seja o reflexo do artista.

Pois bem, vou tentar explicar por que essa idade representa bons fluidos na minha trajetória. Eu sempre me senti um pouco “peixe fora d’água”. Não gostava de me emperequetar quando adolescente, para a tristeza da minha mãe, sempre fui muito crítica com os valores da sociedade e as variadas formas de opressão e nunca me encaixei em nenhum grupo: era muito hippie para as patis e muito pati para as hippies, muito esquerda para a direita e muito direita para a esquerda. Fiz Direito, o antro dos conservadores, querendo ser poeta e por aí vai… Era uma pequena (tanto em tamanho quanto em dimensão social) revolucionária.  Ou seja, sempre me senti num “não lugar” (termo recentemente aprendido com uma professora de sociologia), sem me encaixar nas identidades existentes no meu meio.

Apesar de ser uma coisa que ocorria naturalmente, eu não me sentia em paz com isso. Às vezes, tinha raiva por as pessoas em determinado grupo serem tão parecidas e eu não me enquadrar, em outras me sentia inadequada por não compartilhar a mesma opinião de todo mundo ou ainda me perguntava por que era tão difícil para mim seguir o padrão. Enfim, no meio desse conflito existencial que percorreu toda a minha vida, eu não conseguia me aceitar.

Preocupava-me com o que as pessoas pensavam de mim, se elas me aceitariam se eu discordasse delas e era extremamente dependente da aprovação da família e amigos. Em outras palavras, a opinião das pessoas era o que mais me importava.

E essa dependência da aprovação do outro, que no fundo é uma carência de si mesmo, é tão difícil de ser quebrada. Dói tanto desapegar da muleta do outro e aprender a se sustentar nas próprias pernas, com suas alegrias e frustrações… Sim, pois esse processo é uma faca de dois gumes. Por um lado, liberta-se da necessidade da aprovação de alguém, por outro se perde a admiração e o reconhecimento dos outros.

Para mim, que sempre fui a numero 1 da sala, a menina “perfeita” da família, a que cumpria todas as expectativas, quebrar esse castelo de areia foi como arrancar a própria pele. Mas sobrevivi.

Arrancando um a um os pensamentos limitantes que me foram impostos, tive de destruir a expectativa de todos à minha volta para descobrir quem eu realmente queria ser.  Comecei a me perguntar: Quais eram os meus reais desejos? Com o que queria trabalhar? Com quem queria me relacionar? E ao responder cada uma das perguntas que eu formulava, fui amando cada vez mais a mulher autêntica que estava me tornando. E precisava cada vez menos do amor condicionante dos outros. Quero amor se for livre, se for pleno.

Descobri-me feminista nos quase 30, reconhecendo na sua pauta de reivindicações muitas das coisas que a menina de 15 já pleiteava: o direito de não fazer unha toda semana, de não querer alisar o cabelo, de se vestir fora da moda. O direito de mandar no próprio corpo e na própria aparência, de se relacionar se quiser e com quem quiser. Havia outras como eu, espalhadas por todo o mundo, sentindo-se oprimidas pelos mesmos fatos!

Comecei a me sentir cada vez melhor com os meus cabelos cacheados lançados ao vento, inspirando a liberdade de ser quem eu sou. Nada mais, nada menos.

Além disso, chegados os 30, ainda não cumpri com nenhuma obrigação exigida pela sociedade para mulheres da minha idade: não me casei (nem namorando estou), não tenho uma profissão estabelecida (na verdade, acabei de mudar de profissão) e continuo não me enquadrando em nenhum grupo. Mas estou tão bem com isso! Sem raiva, sem carência, sem sofrimento. Simplesmente me amo como sou, com minhas qualidades e defeitos.

Sim, demoraram praticamente 30 anos para eu conseguir me soltar das principais amarras que me aprisionavam. Há muitas outras, essa é uma luta de uma vida inteira ou mais, mas hoje celebro a possibilidade de me sentir mais livre.

Então, viva os 30! Viva o eterno aprendizado que se chama vida! E viva o autoconhecimento que nos faz mais livres, plenos e felizes!

B.B.

 

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  1. Luiza Paes disse:

    Seja aos 16 , aos 25 ou aos 30 você continua sendo sensacional!!!! AMO VC BRUNITINHA!

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